Por uma cornucópia de motivos que não caberiam aqui, passei minha semana em contato – pessoal ou intelectual – com correspondentes e fotógrafos de guerra. Falo de Kim Barker e Adriana Carranca, aqui no AfPak, e de Manu Brabo, Tim Hetherington (rip) e Ed Ou na Líbia.
O que explica a atração de tanta gente por profissões tão incompreendidas, inconsequentes, ricas em riscos?
Em certos casos, um inconfessável fascínio pela beleza do catastrófico. Noutros, o sentido de urgência diante da dor alheia – alguns diriam “compaixão”, mas não gosto desse termo. Por vezes, o simples vício de vagar, vagar e vagar por um mundo dolorosamente infinito e infinitamente doloroso. In extremis, a certeza de que pouco do importante realmente importa. O desapego puro.
Respeito todas as motivações acima e já flertei – mais de uma vez – com quase todas as profissões que gravitam em torno dos campos de batalha. Isso me leva a inverter a pergunta anterior: o que me impediu de segui-las?
Posso ter sido empurrado pela História. Eu decidi estudar Relações Internacionais em 11 de setembro de 2001 e ingressei na diplomacia – sepultando uma carreira natimorta na assistência humanitária – como consequência da grande recessão de 2008. Duas crises a menos e o mundo teria sido outro. Meu mundo teria sido outro.
Assim como todas as demais escolhas que fiz ou abandonei, essas opções estão em mim. Afinal, eu sou eu e minha circunstância. Não?
Não. Talvez não. Talvez seja o contrário.
Talvez a circunstância não exista fora de mim, ou somente em mim faça sentido.
É por acaso que existo, mas não é por acaso que moro em um país em guerra. Não é por acaso que sou o que sou. É por liberdade.


Puxa,
Gostei muito dos seus textos e da maneira como você expõe sua opinião. Voltarei sempre.
Ana*